É possível trabalhar com Tradução no MacBook?
- Dona Tradutora

- 20 de jan.
- 4 min de leitura

A resposta curta é: sim, e muito bem.
Essa é uma pergunta que recebo com frequência, e estava na última caixinha que abri no Instagram. Resolvi responder com detalhes para nao restar dúvidas!
A minha resposta é simples e honesta: sim, é possível. E eu trabalho assim há anos.
Uso macbook desde 2010 e desde que comecei a trabalhar com Tradução continuei usando.
Hoje, o ecossistema de ferramentas para tradutores é amplamente compatível com o macOS. Nos últimos anos, as ferramentas de tradução assistida por computador baseada na nuvem evoluíram bastante e passaram a funcionar em qualquer sistema operacional, o que mudou completamente o cenário.
Ao longo do tempo, acompanhei de perto essa mudança no mercado: hoje, a maioria das ferramentas de tradução evoluiu para ambientes em nuvem, o que tornou o macOS totalmente viável para o nosso ofício.
Ferramentas como memoQ, Wordfast, OmegaT, Memsource, MateCat, SmartCAT e outras plataformas online funcionam perfeitamente no Mac.
Ou seja, opções não faltam.
Mas por que ainda existe a ideia de que Mac não é bom para tradutores?
Essa percepção vem de alguns anos atrás, quando as opções eram limitadas e muitas ferramentas funcionavam apenas no Windows.
Hoje, esse cenário mudou, com uma exceção importante: o Trados Studio, que ainda não é compatível com macOS.
Essa sempre foi a minha principal dificuldade, e eu sou muito transparente em relação a isso.
O Trados Studio ainda não é nativo para macOS, e por muito tempo isso foi um ponto sensível para quem, como eu, escolheu trabalhar no Mac.
Hoje, resolvo essa questão com o Parallels, que me permite rodar o Trados quando necessário.
O Parallels é um software que permite rodar o Windows dentro do macOS, sem precisar sair do ambiente do macOS.
Na prática, ele cria uma “máquina virtual”, onde é possível usar programas exclusivos do Windows, como o Trados Studio, diretamente no MacBook.
É uma solução muito utilizada por tradutores que trabalham no Mac, mas precisam acessar ferramentas específicas exigidas por alguns clientes.
É uma das ferramentas que mais uso no dia a dia, e me atende perfeitamente.
Para mim, funciona como uma solução prática e suficiente.
Então ainda que o Trados seja indispensável na sua rotina, o Macbook ainda pode ser uma boa escolha.
Por outro lado, se você tem liberdade para escolher suas ferramentas, há muitas alternativas plenamente funcionais no Mac.
E a adaptação para quem sempre usou Windows?
A adaptação é totalmente possível. Claro que você vai precisar de um período de aprendizado dos atalhos e comandos do macOS. Mas em pouco tempo, com prática, a maioria dos tradutores já se sente confortável no sistema.
Macbook serve para Tradução Audiovisual?
Sim. Embora alguns editores clássicos do Windows não estejam disponíveis, existem excelentes alternativas. Ferramentas gratuitas como Aegisub, Subtitle Horse e Amara, e outras mais profissionais como Ooona e Annotation Edit, dão conta de praticamente qualquer demanda de legendagem.
Para transcrição, é possível combinar VLC Media Player com um editor de texto ou usar ferramentas específicas como oTranscribe (gratuita e online) ou InqScribe.
E para tarefas complementares?
Aqui o Mac se destaca. Editar imagens, diagramar documentos, preparar materiais visuais ou editar vídeos é algo que o macOS faz com muita fluidez. Há inúmeras opções profissionais e gratuitas disponíveis, o que facilita muito a vida do tradutor que também precisa lidar com formatos e apresentação.
Pontos fracos:
O principal pra mim é o preço. Os MacBooks costumam ser mais caros do que notebooks equivalentes com Windows, tanto na compra inicial quanto em upgrades/periféricos.
Isso pode pesar para quem está começando ou tem orçamento limitado.
Outro ponto é que periféricos compatíveis, docks/adapters e outros acessórios tendem a ser mais caros quando comparados aos equivalentes para Windows, o que aumenta o investimento total.
Outro problema é que algumas ferramentas de nicho não têm versão para Macbook. Softwares especializados, especialmente em áreas como audiovisual (ex.: certos editores de legendas), podem não ter versões completas para Mac ou ter recursos limitados.
A curva de adaptação para quem vem do Windows também é um ponto fraco.
Mesmo com atalhos de teclado parecidos, o sistema e os comandos são diferentes, o que exige um pequeno período de adaptação para ganhar fluidez.
Outro ponto importante para lembrar é que as atualizações de sistema podem alterar compatibilidades. O macOS atualiza regularmente, e isso ocasionalmente pode impactar a compatibilidade de ferramentas ou exigir ajustes.
Afinal: Mac ou Windows?
Não existe resposta única. A melhor escolha depende da sua estratégia profissional, das ferramentas que você precisa usar e do seu orçamento.
Os MacBooks, especialmente os modelos Air, oferecem um excelente equilíbrio entre peso, bateria e desempenho, sendo ideais para quem trabalha de forma remota, viaja com frequência ou valoriza mobilidade e estabilidade no dia a dia.
Já os modelos Pro atendem muito bem quem deseja usar o notebook como equipamento principal, com mais potência e melhor ergonomia quando combinados com monitor, teclado e mouse externos.
Por outro lado, os notebooks Windows costumam oferecer maior variedade de preços e configurações, além de compatibilidade nativa com ferramentas amplamente exigidas pelo mercado, como o Trados Studio e alguns softwares específicos de tradução audiovisual.
Para quem busca custo-benefício, personalização de hardware ou depende dessas ferramentas no fluxo diário, o Windows pode ser a escolha mais estratégica.
No fim, não é o sistema operacional que define a qualidade do tradutor, mas a formação, o método e a clareza de escolhas profissionais. O melhor computador é aquele que sustenta o seu trabalho com conforto, eficiência e segurança, sem atrapalhar o seu processo.
A ideia de que “Mac não serve para tradução” ficou no passado. Hoje, ele é um dispositivo totalmente válido, eficiente e profissional, desde que esteja alinhado às ferramentas que você pretende usar.
Eu escolhi o MacBook Air, e ele me acompanha perfeitamente nessa fase da minha carreira.
E você? Trabalha com Mac ou PC Windows? Já pensou em mudar?
Me conta nos comentários! 💛







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